domingo, 20 de setembro de 2009

A Pupilagem do Senhor Reitor


A compreensão de Hegel do mecanismo que está baseado no processo histórico é mais profunda que a de Marx. Para Hegel, o primeiro motor da história humana não é a ciência natural moderna ou o horizonte constantemente em expansão do desejo que a potencializa, mas um impulso totalmente não econômico: “A luta pelo reconhecimento pessoal”. Francis Fukuyama

Estamos em 1984, a professora Walquiria Leda de Albuquerque é nomeado pelo governador João Durval Carneiro, político na época ligado a ACM, superintendente da Universidade do Sudoeste. Momento difícil, transição de Autarquia, reconhecimento dos cursos, implantação de outros. Sua posse foi violentamente contestada. Parecia que a UESB entrara no pior dos abismos. Não havia legitimidade para o exercício do cargo, segundo os contestadores, pois a mesma não fora eleita pela comunidade acadêmica. Utilizou-se para sua indicação, apenas a vontade pessoal do deputado Estadual Leônidas Cardoso. Faltava respeito à autonomia Universitária. Um deputado não pode fazer nenhum tipo de ingerência política na comunidade acadêmica que é a vanguarda da democracia. A professora Walquiria transformou-se numa usurpadora por ter sido nomeada por um deputado Estadual.

Sua posse foi extremamente tumultuada. Funcionários revoltados, professores indignados, pois eles eram os defensores da legitimidade. Agrediam com palavras de ordem, onde parecia não existir pessoa humana, somente indivíduos. Os princípios eram válidos, pois os princípios são obrigatórios porque eles são a liberdade. Era a fenomenologia da consciência política. Dentro destes conceitos não cabia a consciência passiva e especulativa. Como diz Louis Althusser, filósofo marxista: "Agora se descobre que não há vida sem surpresa e que ela não só faz da vida, mas a surpresa é a própria vida em sua verdade última".

Os degraus da escada até o auditório não terminavam para aquela comitiva de governo, foi uma caminhada longa. Estavam embaixo, na época, os professores da UESB, defensores da democracia, gritando “ladrões, ladrões, ladrões...”, “Universidade autônoma”, “abaixo nomeação”, “o povo unido... jamais será vencido”. O professor Waldenor, liderava a claque, a sua voz sobressaia com sua jugular exaltada com todo o repúdio que para ele representava aqueles destruidores da educação. Político na educação é intolerável, propagava numa fé sensibilizadora.

Estamos em 1995, o professor Waldenor revelou-se uma atuante liderança política na Universidade. Conseguiu na Administração anterior o cargo de Pro - Reitor Administrativo e Financeiro. Agora ele havia ganho legitimamente em eleição, o cargo de Reitor, embora observe que a diferença de votos não foi muito expressiva, até mesmo se considerarmos que ele já representava o poder e disputava a eleição no exercício de um cargo. Mas tudo bem, foi eleito. É o Reitor na visão da comunidade acadêmica e de fato. Restava ser homologado em lista sêxtupla pelo governador, como pede a Lei. A sua origem político – partidária do PT, inspirava receios de que o governador não acatasse o resultado da eleição da UESB. Aí a história entra com toda a ironia para os que decidem traçar sua trajetória de vida sem avaliar com profundidade a intolerância e em muitos casos até mesmo a crueldade. Estas foram as práticas na época contra as pessoas que assumiram cargos indicados pelo deputado nomeador de plantão. Coisificavam as pessoas, trucidavam as dignidades nas lutas pelos princípios e hoje esqueceram de fazer uma investigação de retorno às origens. Serviria pelo menos para reencontrar a verdadeira fase das causas objetivas das suas lutas. As pessoas se insultavam, se batiam, mas no interior do mundo que permanece, no essencial, um mundo de palavras e oportunidades. Tudo que falavam em defesa de uma sociedade cai por terra na busca pelo poder pessoal. Souberam usar admiravelmente os amigos que os apoiava na época, mas não os respeitaram. De repente não se sabe se a proposta era de um marxismo vulgar, porém, fornecendo uma exposição não mais contraditória, mas coerente e inteligível, na certeza de que o objetivo fora alcançado. Restava apenas restituir as exigências de coerência a uma desastrosa e impraticável ortodoxia de vantagens.

A peregrinação do professor em gabinetes de prefeitos, deputados, chefes políticos, vereadores, para conseguir o apoio para sua nomeação, tirou a legitimidade da eleição. Não havia mais autonomia universitária, tão intolerantemente reivindicada no passado. O nome do jogo agora era assumir o poder de gerir o orçamento da UESB de qualquer forma. É a nova palavra de ordem.

É fascinante a capacidade que o poder tem para transformar as pessoas. Em essência não havia diferença entre a posse do professor Waldenor e da professora Walquiria. Ambos foram nomeados por politicos. A legitimidade conferida nas urnas foi retirada desta comunidade no momento que sua vontade soberana do voto foi resolvida diplomaticamente em convescotes e reluzentes gabinetes onde habitam a atmosfera do poder e a esperteza da lógica, tão contestada por ele no passado.

E como foi pomposa e solene a posse! Até mesmo com direito aos paroquiais e barulhentos fogos de artifícios quando se anuncia os nomes que se pretende promover. É o culto do eu. A mesa composta de vários deputados governistas, Secretários de Estado, Prefeitos de vários municípios, ex-senadores, parecia mais o início de um campeonato de futebol, em que cada político presente queria mostrar que houve sua contribuição para o evento. Banda de música, flores, etc. Não faltou nem mesmo a torcida organizada. Justiça se faça, tinha a presença de outros Reitores das Universidades do Estado. Faltavam professores e educadores de projeção estadual, lamentavelmente não estavam presentes. Não tínhamos sequer um intelectual reconhecido no Estado. Faltava um Edvaldo Boaventura, ex – secretário que promoveu a famigerada nomeação de 84 e hoje um reconhecido educador e intelectual até mesmo nas hostes esquerdistas. Mas, em compensação, sobrava político. E sobrava muita pompa. Jamais imaginei que assistiria uma posse tão concorrida quanto esta. Tinha tudo para ser uma convenção partidária em aliança. Líderes marxistas ideologicamente fundamentalistas, políticos coerentes e carrancudos do passado, estavam presentes comungando da mesma satisfação que os “heróis” promotores de 64 e que hoje emprestavam seu prestígio para nomeação do Reitor. E todos no mesmo banquete da vida, só que no meio da refeição perdia-se o apetite.

O que nos resta desde aprendizado é a certeza de que o próximo Reitor terá que percorrer os mesmos gabinetes que o professor Waldenor. A vitória não foi da instituição, não foi da democracia, não foi da autonomia universitária, não foi de princípios, foi apenas pessoal. Portanto é bom não esquecer o endereço dos gabinetes para a sucessão. Poderíamos até sugerir a dispensa de eleição, bastando indicar o sucessor entre os mais ambiciosos, mais aguerridos, mais negociadores. Este será o perfil dos próximos Reitores. É triste constatar que não existem oportunidades para Educadores.

“Diga-se agora que um príncipe deve ter o cuidado de não se aliar com um mais poderoso, senão quando for impelido pela necessidade, ficará preso do aliado; e os príncipes devem evitar a todo custo estar à mercê de outro” (Maquiavel). No encerramento da solenidade, quando o Secretário de Educação do Estado, tomou o microfone extemporaneamente, para encerrar a solenidade após a fala do Reitor, simbolizou a demonstração de que existia o exercício do poder e da submissão.

Sahid Suffi

sábado, 12 de setembro de 2009

E não se toma Coca-Cola?

-Pai, já estamos na Bahia ?
-Estamos sim filho, olha a placa alí, aqui é Vitória da Conquista.

-Hummm! Estranho! Não me lembro de ter autorizado esta unidade de produção para Bahia.
-Em Salvador você pesquisa isso...preste atenção na estrada querido! Lembre-se, estamos de férias.

-Alô! Oi, como vai o trabalho aí?.....Bem...as férias ainda estão começando!......Estou intrigado!.....quando passei por Vitória da Conquista tinha uma placa anunciando a futura fábrica de refrigerante e não me lembro ter autorizado. Verifique aí no escritório a origem disso.

-Acredito ser iniciativa daquele produtor cearense, dono de algumas das nossas concessões....além do mais é Deputado e sempre indisciplinado.
-Se realmente foi autoria dele....Seja enérgico...demonstre minha indignação por construírem uma fabrica sem minha autorização, em um local que ainda não haviamos pensado. As concessões teem que serem respeitadas.

- Você não vai acreditar ... Convidaram-nos para inauguração da nova fábrica de Fortaleza.

-Esta estava autorizada....Já aqui na Bahia.... de Vitória da Conquista também está quase pronta e não houve nenhum contrato assinado neste sentido.

- E tem mais.....vão mandar um avião para nos levar para a inauguração em Fortaleza.

- Até mesmo a diretoria confirmou a ida.

-Ele tem muito prestígio ...

-Ora..Ora...estamos pousando em outro lugar.... não era para o avião pousar em Fortaleza Deputado? Temos compromisso no Rio, não podemos demorar muito.

-Calma, meus amigos vamos passar aqui em Vitória da Conquista para uma pausa rápida da nossa viagem, vamos inaugurar uma empresa nesta comunidade, onde estará presente sua representatividade politica, não vamos fazer nenhuma desfeita a esta pobre cidade nordestina.

-E esses meninos com fardas escolares no aeroporto e aquela Filarmônica...o que é isso tudo?

- Nesta oportunidade........ apresento-lhes o prefeito de Vitória da Conquista.

-Hummmm!!!

-Prefeito, esta é a diretoria de produção para o Nordeste de nossa fábrica de refrigerante.

-Que alegria tê-los aqui..... Bem vindos!.....o povo de Conquista agradece a presença ilustre de vocês para inauguração da fabrica de refrigerante, que tem a dimensão multinacional....e assim nós nos globalizamos.....

-Hummmm!??????

-Estamos em comitiva, junto com os vereadores para cortar a faixa inaugural......onde se dará início a produção de mais uma unidade desta conceituada empresa, em benefício do nosso Município.

- Hummmm! Não é possível!!!....como diretores fomos enganados e estamos totalmente perdidos com este fato...parece que fomos desviados no percurso da viagem, para oficializar uma inauguração de uma fábrica não autorizada.......que a imprensa não descubra....A idéia do deputado deve ser utilizar os ingredientes produtivos aqui, das fórmulas remetidas para as fábricas de sua propriedade em funcionamento, assim não depedem de possíveis embargos.


-Muito engenhoso!

-Meus Munícipes!!!............depois de longa espera...quebramos o enigma da industrialização de Vitória da Conquista....como prefeito desta cidade tenho a honra de dar por inaugurada, através do simbólico corte desta fita com as cores do Brasil, esta fábrica em nossa cidade. Sendo a terceira unidade produtora da Grande Multinacional no Estado da Bahia .

-Viva!!!!!!!!!!!!Começamos a trazer indústria para o nosso desenvolvimento.

-Palmas!!!!!!


-É o progresso chegando!!!!!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

CAMPINHOS UM LUGAR MUITO LONGE..(Resumo)

-Foi muito bonita a recepção no aeroporto... as crianças com a bandeira da Itália formavam um belo quadro com as suas fardas e suas belas professoras

- Criticam meu sotaque, mas... é muito bom ganhar dinheiro de prefeituras incautas...

- Esqueça o sotaque, tem até um certo charme....... gosto do Prefeito, lamento pela sua ingenuidade

- Na verdade está muito influenciado pelo seu secretário... Convenhamos, é o operador mor desta fantástica e engenhosa malandragem.

- Esta história de empréstimo da Itália, só mesmo aqui para acreditarem..... merece um filme.

- Que maravilha de golpe! Eu sou um mestre... o conto do dinheiro da Itália para construir um Lago em Campinhos.

- Ora! Será o lazer de Vitória da Conquista... o Conquistense passeando de Jet-ski!!!! Lanchas,pedalinhos..... tudo em Campinhos.

- Não esqueça de pedir ao dono da Construtora que vai “ganhar a concorrência” os vinte mil dólares para pagar alguns” carimbos da burocracia Italiana”

- É e tem também o presidente da Emurb, a empresa Municipal, que ficou de contribuir.....

- Afinal... vamos emprestar vinte milhões de dólares para o prefeito modernizar Campinhos!

- Preocupo-me com este Radialista do meio dia... parece não acreditar.....com todo aquele vozeirão atrapalha bem nossa ação.

- Tenho mais receio daquele deputado... que disse que sou um comandantezinho de barcos de travessia de rio na Itália.

- Tiveram a ousadia de me envolver na operação “Mãos Limpas”.

- Como descobriram?

- Pois é... foram até a Embaixada da Itália tomar informações nossas......ainda bem que o prefeito não acreditou.!

- Temos que agir rápido... a policia Federal pode aparecer....

- Qual nada... estamos em 1988 e esta cidade tem pouco policial, que dirá federal.

- Esta ansiedade da população de Campinhos pela desapropriação anunciada pelo Prefeito... é a causa desta inquietação. Alguns querem dinheiro... outros reclamam de sua história...não aceitam alagar seus mortos...

- E assim fazem protestos nas reuniões da Câmara de Vereadores, uns para aprovar o projeto de Lei do empréstimo...outros, contra!

- A oposição não tem maiores informações... só estão atentos e receosos com os argumentos dos velhos de Campinhos...sobre sua historia de seus mortos alagados.

- A valorização dos imóveis de Campinhos parece pregão da Bolsa...

- Muita gente já comprou áreas esperando a as indenizações .....para quando chegar os tais vinte milhões!

-Bom! Aí já estaremos na Europa!

-Não tenhamos sentimento de culpa.....depois do carnaval esquecem tudo. É um povo pobre porém muito feliz. Sem falar que neste ano o Bahia ainda foi campeão.....

Na próxima eleição o prefeito culpa a oposição, mais um projeto sem aprovação, se bem que até lá já engordamos ... com aquela comissão.

-Ora, temos que sobreviver da nossa arte!

-Adoro esta cidade!